
A Fundação Cultural do Pará (FCP) ampliou o acervo e a estrutura da primeira biblioteca comunitária instalada em um território quilombola do Estado. A “Kilomboteca”, localizada no Quilombo do América, em Bragança, na Região de Integração Rio Caeté, recebeu 628 novos títulos de diferentes áreas do conhecimento, além de estantes, jogos de tabuleiro, carteiras e material escolar.
A entrega simbólica dos materiais ocorreu na tarde desta quarta-feira (27). Desde o início da semana, técnicos da Fundação Cultural do Pará estão na comunidade realizando a organização do espaço, catalogação de livros e oficinas voltadas à formação de leitores.
Entre os beneficiados pela ampliação da biblioteca está o estudante Thiago da Silva Araújo, de 14 anos, que destaca a importância do espaço para a comunidade. “Sempre que tenho um tempo livre, eu venho aqui e pego um livro para ler. Agora ficou ainda melhor porque tem mais opções de livros e também os jogos para brincar com os amigos”, afirmou o estudante.
Incentivo à leitura e fortalecimento cultural
A diretora de Leitura e Informação da Fundação Cultural do Pará, Marinilde Barbosa, ressaltou que a ampliação da Kilomboteca integra as ações afirmativas de incentivo à leitura desenvolvidas pela FCP em comunidades quilombolas do Pará.
“As bibliotecas em comunidades quilombolas possuem importância social, cultural, educacional e política fundamental, pois atuam como espaços de preservação da memória, fortalecimento identitário e democratização do acesso à informação. Além de apoiar o processo de ensino-aprendizagem, também desempenham papel estratégico na efetivação de direitos culturais e informacionais”, destacou a diretora.
Espaço de memória e educação
A Kilomboteca funciona na sede da Associação Remanescente Quilombo do América (Arquia). O Quilombo do América possui mais de 200 anos de existência e teve o território legalizado pela Fundação Cultural Palmares em 21 de janeiro de 2015.
A presidente da Associação, Roseti Araújo, enfatizou o impacto da iniciativa para a formação das crianças e jovens da comunidade.
“Nossas crianças ainda têm muita dificuldade para ler. Algumas ainda não aprenderam, e outras não desenvolveram o hábito da leitura. Por isso, todo esse trabalho de incentivo à leitura e entrega de livros é muito importante para nossa comunidade. Leitura é conhecimento e fortalecimento. É através da educação que vamos formar novas lideranças quilombolas”, afirmou.
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