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“Arrancados da própria história”: o drama das famílias no PDS Brasília, em Castelo dos Sonhos no Pará
Famílias que já viviam na área antes da criação do projeto denunciam expulsões, destruição de propriedades e falta de diálogo com autoridades
16/04/2026 07h51 Atualizada há 2 meses
Por: Redação

No distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira, o que antes era terra de esperança hoje se tornou cenário de dor, medo e incerteza.

Famílias que vivem há décadas na região relatam estar sendo retiradas de suas terras, dentro da área do PDS Brasília — mesmo muitas delas estando ali antes da criação oficial do projeto, em 2005.

E um ponto chama atenção:
as famílias mais afetadas são justamente aquelas que estão dentro da área definida como reserva ambiental do próprio PDS.

 

 O decreto que deu origem ao conflito

O PDS Brasília foi criado em novembro de 2005 pelo INCRA.

A proposta, no papel, era:

Mas há um ponto central que hoje gera conflito:

Quando o PDS foi criado, já existiam famílias morando na área
E dentro desse território foi instituída uma reserva ambiental coletiva

 

A criação da reserva dentro do PDS

Dentro do modelo adotado:

 Segundo os relatos das famílias:

Essa reserva foi criada justamente em áreas onde já havia moradia e produção Ou seja, pessoas que já viviam e trabalhavam ali passaram a estar dentro de uma área considerada de preservação

E é exatamente essa situação que hoje está levando às ações de retirada.

 

PDS ou PA: a decisão que impacta até hoje

Moradores apontam que o modelo adotado agravou o problema:

- O local foi definido como PDS (voltado ao uso sustentável e extrativista)
- Mas as famílias sempre foram produtoras rurais

Se fosse um modelo PA (Projeto de Assentamento tradicional):

 

Uma vida inteira fincada na terra

Ali não existem apenas propriedades.

Existem histórias.

Casas construídas com esforço.
Famílias inteiras formadas ali.
Pequenas criações que garantem o alimento diário.

Hoje, tudo isso está ameaçado.

 

O relato que traduz a dor

Nossa equipe conversou com Adriana Manfroi, interlocutora das famílias. A emoção é evidente:

“É desolador… essas famílias já estavam aqui antes de tudo. A reserva foi criada depois, em cima delas.”

“Agora estão sendo tratadas como se estivessem erradas, mas na verdade sempre viveram e trabalharam aqui.”

 

 Quando o sustento vira alvo

As denúncias são graves:

Para essas famílias, não se trata apenas de terra —
mas de sobrevivência.

 

Sem chão, sem resposta, sem destino

O sentimento predominante é de abandono.

“Eles não têm para onde ir. Tudo está aqui. A vida inteira dessas pessoas está nessa terra.”

Sem reassentamento, sem apoio, sem escuta —
o futuro se torna incerto.

 

Falta de diálogo e invisibilidade

As famílias também denunciam a falta de diálogo com órgãos como o INCRA.

Segundo os relatos:

E, em meio a isso, cresce um sentimento profundo: o de invisibilidade.

 

 Um conflito entre decreto e realidade

O caso do PDS Brasília revela um choque direto:

De um lado, uma política pública criada para preservar.
Do outro, famílias que já viviam ali antes mesmo da sua criação.

 

Um pedido que ecoa na floresta

As famílias pedem:

 

Encerramento

Mais de 20 anos depois da criação do projeto, o PDS Brasília se tornou palco de um debate urgente:

É justo retirar quem já estava, para cumprir uma regra que veio depois?

Enquanto respostas não chegam, em Castelo dos Sonhos, famílias seguem resistindo —
entre o medo de perder tudo…
e a esperança de não serem esquecidas.