No distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira, o que antes era terra de esperança hoje se tornou cenário de dor, medo e incerteza.
Famílias que vivem há décadas na região relatam estar sendo retiradas de suas terras, dentro da área do PDS Brasília — mesmo muitas delas estando ali antes da criação oficial do projeto, em 2005.
E um ponto chama atenção:
as famílias mais afetadas são justamente aquelas que estão dentro da área definida como reserva ambiental do próprio PDS.
O PDS Brasília foi criado em novembro de 2005 pelo INCRA.
A proposta, no papel, era:
Mas há um ponto central que hoje gera conflito:
Quando o PDS foi criado, já existiam famílias morando na área
E dentro desse território foi instituída uma reserva ambiental coletiva
Dentro do modelo adotado:
Segundo os relatos das famílias:
Essa reserva foi criada justamente em áreas onde já havia moradia e produção Ou seja, pessoas que já viviam e trabalhavam ali passaram a estar dentro de uma área considerada de preservação
E é exatamente essa situação que hoje está levando às ações de retirada.
Moradores apontam que o modelo adotado agravou o problema:
- O local foi definido como PDS (voltado ao uso sustentável e extrativista)
- Mas as famílias sempre foram produtoras rurais
Se fosse um modelo PA (Projeto de Assentamento tradicional):
Ali não existem apenas propriedades.
Existem histórias.
Casas construídas com esforço.
Famílias inteiras formadas ali.
Pequenas criações que garantem o alimento diário.
Hoje, tudo isso está ameaçado.
Nossa equipe conversou com Adriana Manfroi, interlocutora das famílias. A emoção é evidente:
“É desolador… essas famílias já estavam aqui antes de tudo. A reserva foi criada depois, em cima delas.”
“Agora estão sendo tratadas como se estivessem erradas, mas na verdade sempre viveram e trabalharam aqui.”
As denúncias são graves:
Para essas famílias, não se trata apenas de terra —
mas de sobrevivência.
O sentimento predominante é de abandono.
“Eles não têm para onde ir. Tudo está aqui. A vida inteira dessas pessoas está nessa terra.”
Sem reassentamento, sem apoio, sem escuta —
o futuro se torna incerto.
As famílias também denunciam a falta de diálogo com órgãos como o INCRA.
Segundo os relatos:
E, em meio a isso, cresce um sentimento profundo: o de invisibilidade.
O caso do PDS Brasília revela um choque direto:
De um lado, uma política pública criada para preservar.
Do outro, famílias que já viviam ali antes mesmo da sua criação.
As famílias pedem:
Mais de 20 anos depois da criação do projeto, o PDS Brasília se tornou palco de um debate urgente:
É justo retirar quem já estava, para cumprir uma regra que veio depois?
Enquanto respostas não chegam, em Castelo dos Sonhos, famílias seguem resistindo —
entre o medo de perder tudo…
e a esperança de não serem esquecidas.