Geral PREVENÇÃO
Em Salvaterra, Adepará e Sespa orientam cadeia produtiva do açaí sobre prevenção à doença de Chagas
Rastreabilidade do fruto, cadastro de produtores e batedores e branqueamento do açaí estão entre as medidas difundidas durante as ações educativas
11/06/2026 17h52
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Agentes de endemias, Agentes comunitários de saúde e batedores de açaí participaram das ações

As ações do Grupo de Trabalho (GT) Segurança Alimentar para a cadeia produtiva do açaí chegaram ao município de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, reforçando estratégias de prevenção à doença de Chagas e de promoção da segurança alimentar. A programação reuniu produtores, batedores de açaí, agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, profissionais da atenção básica e representantes de instituições parceiras.

O município possui 76 batedeiras de açaí cadastradas, mas apenas três estabelecimentos licenciados pela Vigilância Sanitária Municipal. Diante desse cenário, as atividades tiveram caráter preventivo, buscando orientar os diferentes elos da cadeia produtiva sobre o cumprimento das normas sanitárias e das boas práticas agrícolas e processamento do fruto.

A doença de Chagas tem como vetor o inseto popularmente conhecido como barbeiro e, no Pará, a maior parte dos casos está relacionada à transmissão oral, associada ao consumo de alimentos contaminados durante o processamento, especialmente do açaí. Por isso, as ações enfatizam cuidados que começam ainda na colheita, passam pelo transporte e chegam ao processamento do fruto, incluindo a obrigatoriedade do branqueamento.

Defesa Vegetal reforça importância da rastreabilidade do açaí

Um dos principais temas abordados pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) foi a rastreabilidade do fruto, considerada uma ferramenta essencial para fortalecer o controle fitossanitário e a segurança da cadeia produtiva.

A fiscal da Adepará, Karen Neves, ressaltou o papel fundamental da GTV para rastrear a origem e o destino dos frutos comercializados

Durante as palestras, a fiscal estadual agropecuária Karen Neves destacou a importância da emissão da Guia de Trânsito Vegetal (GTV), do cadastro de produtores e batedores e do registro da origem dos frutos comercializados.

Segundo a fiscal, a rastreabilidade permite identificar a procedência do açaí desde a unidade produtiva até o consumidor final, contribuindo para respostas mais rápidas em situações de emergência sanitária e para a adoção de medidas corretivas quando necessário.

"Além de assegurar maior transparência na comercialização, o monitoramento da origem do açaí fortalece a vigilância fitossanitária, auxilia no controle de riscos à saúde pública e valoriza a produção regularizada", ressaltou.

Karen Neves também alertou para os desafios relacionados ao trânsito do fruto durante a entressafra, período em que o açaí passa a ser adquirido em diferentes regiões produtoras. Nesse contexto, o papel dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de endemias é fundamental para orientar os batedores sobre a aquisição de frutos de qualidade e procedência conhecida.

Controle da origem do fruto

A fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Dorilea Pantoja, destacou que episódios recentes registrados no Estado demonstram a importância da rastreabilidade na cadeia produtiva.

Dorilea Pantoja ressaltou a obrigatoriedade do branqueamento do fruto

Segundo ela, surtos ocorridos em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no final de 2025, evidenciaram a dificuldade de identificar a origem dos frutos utilizados no processamento do alimento.

"Mesmo a legislação sendo de 2018, ainda trabalhamos prioritariamente com orientação e conscientização. No final de 2025, tivemos um surto em Ananindeua com 47 pessoas acometidas e que resultou em quatro óbitos. Não conseguimos identificar de onde veio o fruto porque os batedores não souberam informar a origem do açaí adquirido", relatou.

A legislação estadual sobre rastreabilidade está em vigor desde 2018 e estabelece mecanismos para identificação da origem dos produtos vegetais. Segundo os órgãos envolvidos, a medida é fundamental para garantir maior segurança alimentar e fortalecer o monitoramento sanitário.

Entressafra exige atenção redobrada dos batedores

Outro tema abordado durante as capacitações foi a aquisição do fruto no período de entressafra. De acordo com Dorilea Pantoja, muitos batedores alegam dificuldades para realizar o branqueamento quando o açaí chega congelado.

A orientação da Vigilância Sanitária Estadual é que o branqueamento continue sendo realizado, independentemente da origem do fruto, uma vez que o procedimento é essencial para reduzir riscos de contaminação e garantir a segurança do alimento.

As equipes também reforçaram a necessidade de evitar a compra de frutos excessivamente moles ou congelados sem garantia de procedência e de observar rigorosamente as exigências previstas no Decreto Estadual nº 326/2012, que estabelece as obrigações sanitárias para os processadores artesanais de açaí.

Prevenção e fortalecimento da rede de assistência

As ações integram o Plano Estadual de Enfrentamento da Doença de Chagas, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) por meio do GT Segurança Alimentar. A estratégia contempla sete eixos de atuação voltados para prevenção, vigilância epidemiológica, assistência e educação em saúde.

De acordo com o fiscal da Vigilância Estadual, Éder Monteiro, cerca de 90% dos casos registrados no Pará estão relacionados à transmissão oral, principalmente por meio do consumo de alimentos contaminados.

Éder Monteiro , fiscal da vigilância estadual, falou sobre o reforço da rede de assistência

Embora Salvaterra não esteja entre os municípios com maior incidência da doença, a ação busca fortalecer medidas preventivas em duas frentes prioritárias: a atenção primária à saúde, responsável pelo acompanhamento dos pacientes e identificação precoce dos casos, e a vigilância sanitária, voltada ao controle da cadeia produtiva do açaí.

Além das capacitações para batedores, médicos e enfermeiros participaram de atividades voltadas à linha de cuidado das pessoas infectadas, reforçando o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno da doença.

Vigilância entomológica amplia monitoramento no município

A programação incluiu ainda orientações sobre vigilância entomológica e a implantação do Posto de Informação de Triatomíneos (PIT) em Salvaterra.

A bióloga Kellen Veríssimo, do 7º Centro Regional de Saúde, explicou que o espaço funcionará como ponto de recebimento de insetos suspeitos de serem vetores da doença de Chagas, entregues pela população para análise laboratorial.

A bióloga da Sespa destacou a implantação do monitoramento do inseto vetor da doença

"Essas informações são importantes para conhecermos as espécies presentes no município, verificar se estão infectadas e, a partir desses dados, definir estratégias de controle, proteção e educação em saúde para a população", destacou.

Segundo a especialista, Salvaterra apresenta situação epidemiológica considerada estável em comparação com municípios como Afuá, São Sebastião da Boa Vista, Muaná e Ponta de Pedras, que registram maior número de casos relacionados à transmissão oral da doença.

Com a ampliação das ações educativas e do monitoramento integrado entre saúde e defesa agropecuária, o objetivo das instituições é fortalecer a segurança da cadeia produtiva do açaí, prevenir novos casos da doença de Chagas e promover maior proteção à população e aos consumidores do fruto paraense.